segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

LIMPEZA DE FIM DE ANO - UMA RECEITA ESPECIAL







LIMPEZA DE FIM DE ANO - UMA RECEITA ESPECIAL

                                                                                          Maysa Machado

Ponha o amor mofado pra secar ao sol da manhã, na janela.
Enquanto isso limpe seu coração de todos os nãos recebidos. Reserve os novos espaços para os sins.
Separe, pacientemente, as desilusões, por tamanhos e formas. Algumas podem ser recuperadas, e, tomar a aparência de novinhas em folha, lavando-as em lágrimas doces. Difícil será encontrar o precioso líquido.
Para ajudar, aqui vai, um pequeno segredo: Procure colhê-las durante as comemorações, de fim de ano, em meio a promessas, beijos, reencontros e surpresas agradáveis, etc. Mas só as verdadeiras, as de alegria. Ser feliz dá trabalho, e só depende de você.
 Olhe a sua volta, não diga nada, mas olhe e procure sentir AMOR por tudo e por nada.
Deixe o AMOR fluir em você. Faz um bem. Alisa a alma. Melhor que muito serun vendido pelas grandes marcas em potes mínimos e preços mais salgados que o do bacalhau.
Respire o ar da mata, das plantas da sua varanda, do seu jardim. Tome um banho de imaginação junto ao de ervas e cheiro. Se inunde de afeto.
 Não se esqueça de olhar o azul do céu. Esse prêmio que o hemisfério sul nos oferece. Está anil? Tá brumado? Vai passar logo, logo. Sem previsão de chuva, pode acreditar.
Não precisa jogar fora o que ficou sem uso, se você gosta e não cuidou. Reaproveite tudo. Desista de ser consumista. A felicidade não está nas vitrines do Shopping. Por ali, só as ilusões passageiras e sugadoras do seu orçamento, em longas e pesadas parcelas.
Passe a limpo as questões difíceis, sem uma palavra, sequer. O silêncio escolhido é o melhor conselheiro e companhia que temos. Você fará sua síntese. Economizará e reaproveitará.
 Muita vez fará descobertas de sentimentos, atitudes, decisões.
Ah!Volte à janela, antes do meio dia, e veja o estado em que o AMOR ficou. Se o sol da manhã não resolveu, lamento dizer, procure outro amor, novinho e fresquinho como o Ano que está nascendo.
Cuide-se. Lembre-se, ou cantarole o “Bom Conselho”, de Chico Buarque: ...”Está provado quem espera nunca alcança” ou assovie “A perfeição é uma meta defendida pelo goleiro da seleção”, como o querido Gil nos ensinou.
FELIZ 2013.

Santa Teresa, 31 de dezembro de 2013.


Abraço e até o Ano Novo!

Maysa

AMOR sem AMOR







AMOR sem AMOR


                                   Maysa M.                 

Seu triste amor
Triste, pois desavindo
Sequer poupou-lhe decepções
Nãos, desapreços.
Colecionou silêncios
Ao invés de beijos.
Silêncios ao invés do nome
Na ânsia de ouvi-lo com carinho.
Tudo negado, a troca de afeto
A lembrança gentil.
.................................
Muitos anos passados
Não ousou perguntar
Sabia bem a resposta
Que os gestos sumários
Traziam.
Amor não cabe no coração onde mora o egoísmo.
Ao amor é dado o vento, o ar, a esperança.
A liberdade de ser, de criar.
Em tempo algum a prisão de uma caixa de sapato
Fechada, e com furinhos.

Cabe ao amor construir o ninho.


Santa Teresa, 31 de dezembro de 2012.


Aos que por aqui passam, desejo que encontrem um Novo Ano cheio de possibilidades e realizações.
"Um ano passarinho"!
Abraços

Maysa

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

POESIA e ARQUITETURA - Maysa Machado












Para Oscar


Poesia e arquitetura andam juntas. Andavam até ontem!

No traço despojado de uma e outra, no desafio suave e irremediável.

Inovador foi Oscar.

Amado por muitos, amou o Brasil e seu povo.

Que lembremos sempre da doçura, singularidade e bom humor do sábio Oscar.

Eu vou lembrar.

Maysa


"
Não é o ângulo reto que me atrai. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu País, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. " 
Foto: Edifício Copan, S. Paulo - Arquiteto Oscar Niemeyer

sábado, 1 de dezembro de 2012

A FLOR E O TAPETE - Maysa Machado

Foto:  Fernando Stickel













A FLOR E O TAPETE


                                                                                                              Maysa Machado


Deixá-las cair o vento ajuda.

Um pouco enciumado leva beleza

Pro chão de terra batida espalhando-as

Espargindo-as...

Em metros e metros de coloração carmim.

As veias abertas e fortes das raízes enodoadas

Desaparecem sob manto mais sedoso

Que a púrpura dos cardeais.

Como pingos de chuva encantados

Flutuam no ar, antes de pousar.

A semeadura aquece o solo e o fertiliza.

Pura magia.

Os mais distraídos -nesse encontro com o belo-

Hão de acreditar. A terra recebeu um presente do céu

E este a fecundou de rosa carmim.

Nem é preciso desconfiar ... vento, céu, terra, e mar,

Amansam folhas, acolhem flores e bordam

Sob pés de jambo

Os mais belos tapetes pra se pisar.

Deitar. Sonhar.

Ungida amealho um punhado

E conjugo dois verbos: Viver e Amar.


Santa Teresa, 1 de dezembro de 2012.




Brindando Dezembro. Um abraço aos que passam.

Maysa