quarta-feira, 11 de maio de 2011

PIRILAMPA - Maysa Machado






PIRILAMPA

Cinco anos atrás, não existia pirilampa. Nossas vidas aconteciam em formas bem diferentes. Nem imaginaríamos o quanto tudo ia mudar.

Ela chegou radiante, foi crescendo...

Encantando as pessoas, com alegria desconcertante, e às vezes teimosia renitente. Chegou curiosa, inteligente. Com sua presença tudo mudou de lugar.

Vive os primeiros tempos buscando o que é seu, quer tudo para si.

- Essa calça é minha! Declarou quando me viu usando uma legging listrada e multicolorida.

Levei um susto. Ri pelo inusitado, e fiquei achando que tinha igual. Não tinha. Foi o jeito de dizer que achava bonita e queria uma.

Fui aprendendo, com ela, a ser mais carinhosa, paciente. Mais, eu disse.

Carinho e atenção sempre serão poucos para suas necessidades cotidianas básicas.

Ela é uma flor? Uma princesa? Uma pessoa?

Nós somos avó e neta - até então- caçula.

Amanhã, minha pequerrucha faz aniversário.

No fim de semana indago.

- O que vai querer de presente? Já escolheu?

Ela fita meu rosto com expressão de sabedoria e malícia... e diz triunfante.

- Uma surpresa, ora!

Nos fazemos companhia.Procuro descobrir as novas alegrias da infância. As minhas, bem guardadas descansavam numa caixinha de recordações, que ela abre e futuca - sem cerimônia- querendo entender, saber, descobrir.

Muito me alegra ser sua avó. Tive uma, ótima.

Agora, sou acordada, de manhãzinha, por aquela voz clara, um pouco hesitante, lendo. Qualquer texto. Tudo que lhe caiba diante dos olhos. Sobretudo, histórias dos seus livros preferidos.

Antes, ela madrugava, com um livrinho na mão querendo que a vó - de visita - lesse.

Temos nossas brincadeiras inventadas, só nossas. Passamos o último ano aprendendo e classificando palavras. E rindo com as descobertas.

- Essa palavra é difícil!

- Pudera. É uma palavra para menina de cinco anos!

- Jura, vó! Então, já sei uma palavra de criança de cinco?

- Prá você ver...

Dá uma volta pela casa, aparece de mansinho, sedutora.

- Vó, você me ensina outra palavra? Agora, de menina de sete anos!

E assim... divertindo o espírito, amansando a alma.

Trouxe para visitar nosso mundinho, e pelo jeito ficar para sempre entre nós, Dona Paciência, senhora invisível, que ajuda quando a situação, por qualquer motivo, fica difícil.

Curiosidade e aprendizagem andam juntas. O tempo de criança e o do adulto, também.

A personalidade da criança deve ser não só acompanhada como respeitada por nós, os mais velhos. Essa é nossa responsabilidade com o afeto.

Desejo que além de saúde e todas as oportunidades, vida afora, minha neta guarde as recordações da infância numa caixinha, igualmente, preciosa. E as compartilhe, com as crianças futuras, em sua vida adulta.

No amor condensado crescemos juntas. Somos novas pessoas existindo nos mundos do vir a ser, do faz de conta, do aqui e agora, do até sempre.

FELIZ ANIVERSÁRIO C.

TE AMO PIRILAMPA*

Vó Maysa

*Apelido dado por mim, por sua eletricidade e luminosidade constantes. Vocação nata para corrigir, ela atalhou rápido:

- Pirilampa não vó... Pirilâmpada.

6 comentários:

Berzé disse...

Sempre um texto muito fluente, amiga.
Vó é vó.
Bjs.
Berzé

Maysa disse...

Berzé
As histórias de vó são infindáveis.Gostosas e surpreendentes. Não existe melhor maneira de voltarmos às nossas recordações da infância e participarmos do mundo do aqui agora.
Bj
Maysa

Ana P. disse...

Maysita, beijinhos na pequena!
Fiquei emocionada com a história ...
grande beijo
Ana

Maysa disse...

Já leu a do dia seguinte?
essa C. promete.
bj
vamos ou não à eXposição?

Beatriz Meirelles disse...

Adorei, Maysa! A pirilampa é mesmo um encanto.

Beijos

Maysa disse...

Querida Bia

Desde que nos conheçemos,sabes que te quero com muito carinho.
Fico feliz que passes a me fazer companhia. Este ninho e a Tempestade é uma metáfora para vida. Os momentos tão bons, suaves, criadores e os de dura passagem, sofrimento, incertezas.
Venha sempre me fazer companhia. Conto com sua doçura interior e suas inquietudes que também são minhas.
Beijo.
PS: Netos são os presentes pela vida inteira.
Maysa