segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

PALAVRAS ME TRANSFORMAM - Maysa M.

foto Vio/Cataratas/2009


PALAVRAS ME TRANSFORMAM.
Maysa Machado

Palavras me transformam.
Em que?
Flor, nuvem, pássaro...
Abóbora, besouro, pôr-do-sol
Caracol ou lesma! Tanto faz...
Afronta confundi-los.
Ambos são lerdos.
Um, não nos repugna
O que à outra cabe
Com seu rastro viscoso
...De desprezível brilho.

Cultura. Ócio. Amor.
O que mais?
Prazer. Música. Vinho...
Eu mesma nem sei... Imprevidente
Sou onda. Sou espuma.

Fujo... Agora, ontem
Aos nãos fatais
Recusas bestiais
E abjuro, sempre
Os sins celestiais.
Acertos interiores
Conversas finais.

Palavras me transformam.
Silêncios... Só alguns
É que me devoram.

Santa Teresa, 28 de fevereiro de 2011

LÁ SE FOI MOACYR...









Lá se foi Moacyr... Com seus olhos claros, de um olhar arguto, sorriso doce, e generosidade tamanha para ler... Incentivar, aconselhar aos que amam escrever. Saudade em mim profunda. Relembro seu prazer em falar sobre a escrita, de todos os gêneros percorridos em sua obra.

Conhecemo-nos, ele professor eu aluna, numa oficina de Crônica, na Estação das Letras. Tivemos esse privilégio. Talvez o horário, ou resultado de pouca divulgação éramos três inscritas. Tímida e trêmula li meus textos... Atento ele destacava pontos positivos; preciosos para mim esses momentos de convívio e aprendizagem. Jamais o esqueci, jamais vou esquecê-lo. Ali, em sala de aula, recuperou com entusiasmo o gênero de um texto de minha autoria, admitido tempos antes, por mim, e a contragosto, como crônica. Ele me fez feliz ao afirmar: - Isto aqui é um conto, introspectivo, um conto! ... Prossiga.

Leio triste e orgulhosa, a dedicatória deixada em seu livro - Manual da Paixão Solitária- seu “recado” fala na dimensão humana. Simples, apaixonado e pulsante, vivo, criativo, mordaz.

Dimensão de sua alma rica, gentil, que a fama não alterou hábitos nem propósitos. Dedicado leitor... Dedicado escritor.

Reproduzo, aqui, o belo texto de José Castello, escritor e colunista, do Caderno Prosa e Verso, do jornal O Globo - UM ESCRITOR COM AS LUVAS DA FANTASIA - com extrema sensibilidade nos conta um pouco sobre a vida e a obra de Moacyr Scliar.

E, aqui, para os que tiverem curiosidade reproduzo uma crônica lida por mim, para ele, em nossa oficina.

Com pesar, porém agradecida, abraço a todos.

Maysa

sábado, 26 de fevereiro de 2011

CORA CORALINA - CORAÇÃO DO BRASIL -NO CCBB







Cora Coralina Cristalina


É doce!Calda em ebulição fervilha... Falta mesmo ao olfato a gama de odores, a memória dá conta desse recado.É água! Borbulhas e espumas se alternam em movimentos rápidos e renovados. Pedras brutas, agora amaciadas, lisas, úmidas, ainda, escuras sob tanta luz cristalina... São muros, muitos... tanto formato de colocar pedra sobre pedra. Pedras, açúcar, receitas preciosas; letra em caligrafia antiga, caprichada salta dos cadernos de Cora. Comentários precisos e apetitosos.

São meus sustos diante de tanta beleza e simplicidade, de tanta sabedoria e humildade. A poesia escorre como água fresca, borbulha como o doce que está alcançando o ponto. Entra em nós, passeia em nossas lembranças, e não faz menção de sair. Chega-me a profunda saudade da avó verdadeira, dos seus doces, do seu bordado, da sua sabedoria... Do seu cheiro de alfazema, dos cabelos lisos, macios e alvos na tez morena. Avozinha tão querida...

Flor de pedra

Espuma é...

Vem no movimento

Que é vida

Passagem

Alquimia

Transformação.

Os sons misturados

Cristais, cristais

Riquezas interiores

Não mais...

Poesia vida é.

Saio do devaneio...

(Maysa)


Descubro na travessura de menina, ainda Ana, o caso do prato... Deixou de ser prato e virou poema, antes de virar colar: O prato azul pombinho!

Era um enlevo o canto da minha meninice!

Cuidado com esse prato

Foi o último de noventa e dois!

E mais adiante:


Entre pedras que

me esmagavam

levantei a pedra

rude dos

meus versos.

E mais...


No acervo do perdido,

no tanto do ganhado,

está escriturado:

Perdas e danos,

meus acertos.

Lucros, meus erros.


Cora também pode ser ouvida e vista num vídeo contando suas histórias. Ali, sua forma de ver o mundo, seu olhar nos alcança e deixa em nós perguntas sem respostas, caminhos para outro olhar e entendimento... O poema de Carlos Drummond de Andrade, bem na saída, religa nossa imaginação. Poesia é isso, um tempo que não se explica, nem se esvai... Fica.

Um carinhoso abraço cheio de poesia.

Maysa

PS:No Centro Cultural do Banco do Brasil , até 13 de março.

NISE DA SILVEIRA- SENHORA DAS IMAGENS






Nise da Silveira, alagoana, médica, continua sendo de imensa importância para o pensamento de várias gerações de brasileiros. Sua vida e dedicação ao tratamento dos esquizofrênicos contribuíram para a efetiva mudança da relação médico X cliente psiquiátrico. NISE está sendo contada por Mariana Terra, atriz, dirigida, em espetáculo multi- mídia, por Daniel Lobo. Na Caixa Cultural- Rio.

Assisti comovida a apresentação de sexta-feira. Aprendi novas lições para uma história que, desde pequena, acompanho. Filha de pai alagoano, nossa família e a de Drª Nise têm parentesco afim. Sinto grande admiração pela Dra, por sua vida e obra.

A peça NISE- SENHORA DAS IMAGENS desencadeia emoções intensas. Ao evocar NISE, Mariana Terra, a atriz, incorpora e entrega mil NISES para nós, a platéia. Aberta, despojada, doada é sua arte de interpretar,viver o personagem. A estética do espetáculo ousada e dinâmica transborda em poética contestadora e lírica. A Dra, para quem a conheceu, e a criada por Mariana integram-se em seus múltiplos aspectos humanos, do processo de reflexão à ruptura com os papeis institucionais dos hospitais psiquiátricos. Primeira lição para os que assistem o desenrolar da ação cênica: A emoção de lidar traça a linha de atuação, está presente todo o tempo no palco. Nos captura, para lugares recônditos, mergulhos sem escafandros. Somos parte dessa experiência subjetiva, alquímica, transportados através da técnica e magia da arte de representar. Nosso imaginário sai agradecido: Namastê

Outra lição, bem humorada e sábia da Doutora, entre tantas narradas: Não se curem totalmente! Fica chato, insuportável. Insuportável como os rótulos, as posturas autoritárias; insuportável como as verdades definitivas. Reaprendo que viver é perceber a emoção de lidar, é caminhar passo a passo, cada dia! É olhar olho no olho.

NISE nos ensina - até hoje- a respeitar o diferente, a conquistar sua inclusão, cabe-nos transformar esta sociedade, torná-la menos desigual e injusta. E para contar essa experiência de vida, de vidas Mariana Terra, atriz, reconta NISE. Experimenta a emoção de lidar com a perda, a dor, a descoberta e o que se pode fazer ou não com tudo isso. Bastões, escafandros, máscaras, mergulhos, poesia, afetos, loucura. O Outro será sempre o intérprete de nossos insondáveis mistérios. Acabado o espetáculo, saímos mais conectados com esses mistérios do SER. A ternura provocada pelo afeto, talvez seja, o íntimo reduto da esperança.


Dedico esse comentário à poetisa Beatriz Bandeira, amiga e companheira de Nise na cela 4 ( hoje com 101 anos); à Martha Pires Ferreira,artista plástica e astróloga, amiga,seguidora do compromisso assumido por Nise com os clientes na Casa das Palmeiras. E a Mariana Terra, uma excelente atriz que se doa, de forma comovente, ao papel.

Um abraço aos que passam!

Reservem seus ingressos, com desconto, através dos nº de telefone registrado ou

envie email paraconvite.teatro@gmail.com e pague R$15,00.


Maysa



O PÚBLICO APLAUDE!

"A peça é maravilhosa. A interpretação da Nise é mediúnica. Final corajoso e emocionante." Benilton Bezerra Jr.

"Espetacular!" Glória Chan, Museu de Imagens do Inconsciente

"Um convite aos sonhos da imaginação!" Martha Pires Ferreira, Casa das Palmeiras

"Um espetáculo que entorpeçe a gente, de tanta emoção.'' Dora Alvarenga

"A Atriz é excelente e o texto comovente." Bete Calligaris

"Bellissimo spettacolo! Scambia con l'immaginario dello spettatore. Un mare disensazioni." Bruno Donati

"Belas imagens, leitura lúdica da Nise. Mariana está fantástica!" Luciana Lucena

"Uma viagem no tempo!" Tania Feital


Com Mariana Terra - Dramaturgia e Direção: Daniel Lobo
Coreografia: Ana Botafogo * Trilha sonora original: João Carlos Assis Brasil
Participações especiais de Carlos Vereza como "A Voz do Inconsciente" e Ferreira Gullar (vídeo)


De Quarta a Domingo às 19 horas - Até 20 de março de 2011
* Sessão especial terça, 01 de março.


CAIXA CULTURAL RIO (TEATRO DE ARENA)
Av. Almirante Barroso 25 - Centro (Esquina Av. Rio Branco)
Reservas: (21) 9607-9593





quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

AMOR DESFEITO - Maysa Machado



Te perdôo/Por fazeres mil perguntas/Que em vidas que andam juntas/

Ninguém faz/Te perdôo/Por pedires perdão/Por me amares demais.

MIL PERDÕES - CHICO BUARQUE

Se quiser acompanhar a letra na íntegra é aqui



Amor desfeito

Maysa Machado


Desatam-se em nãos, em nós

Despedidas doídas

Do amor desfeito.

Lembranças do que não foi dito

Vãos escusos, desusos

Para um amor mal repartido.

Sóis e luas adormecidos

Entre tuas mãos

Acordam meus ouvidos

Sussurrando canções

Tão tristes... Atemporais

De teus silêncios

E meus longos suspiros.

Afetos ao desabrigo.

Quem sabe as tempestades

Fizeram tudo?

Talvez apenas

Meus medos quase infantis

Teus silenciosos temporais...

Santa Teresa, 23 de fevereiro de 2011


Aos que passam meu abraço carinhoso

Maysa

domingo, 20 de fevereiro de 2011

LA JAVANAISE - SERGE GAINSBOURG












Final dos anos sessenta, Serge Gainsbourg fazia enorme sucesso. Lembro dos tempos do C.PII ,um colega de turma cantava, pra nós, mocinhas boquiabertas uma canção francesa dele - L'Eau a la bouche. Delirávamos. Delírio saudável, adolescente. O curioso é que Serge não fazia o tipo galã que as mocinhas de todos os tempos amam.

Rompiam-se os paradigmas da beleza, só beleza, e entrava em nossas veias a importância do charme, do mistério , do sensual. Isso tinha Gainsbourg, Aznavour, Belmondo.

Voz tinha, e continua tendo, uma importância fundamental, em nosso imaginário erótico. Não na extensão, nem em colocação correta, mas no dizer intimista. Parecia que o mundo, daquela época, queria crescer prá dentro, prá perto, expor o sentimento, tocá-lo, inventar as relações.E queria.

O império americano, ainda, não era soberano em imagens nem fantasias na minha geração! Ainda bem! Então, ouvir Gainsbourg para mim é um pouco como Volver a los 17! É mágico.

Já que decidi colocar a letra original, aqui no blog, que me perdoem os que não falam ou entendem francês, decifrem o pequeno texto. A paixão nos leva a compreender quase tudo! ou intuir!

"L'amour galant, l'amour courtois, l'amour romantique, intime, personnel, secret, profondément intérieur, dans toute sa splendeur et sa richesse narratives, lorsqu'il n'était pas encore devenu une mécanique froide et organisée, un processus marchand scrupuleux et superficiel.

Aujourd'hui, l'on dit "je t'aime" comme on dirait une grossièreté. Le sens s'est échappé, s'est corrompu, est devenu science sociale...

E num arroubo de coragem (!) intento uma tradução/traição. Talvez em português seja assim:

O amor galante, o amor cortês, o amor romântico, íntimo, pessoal, secreto, profundamente interior,em todo seu explendor e sua riqueza narrativa, quando ainda não tinha se tornado uma mecânica fria e organizada, um processo escrupuloso e superficial.

Hoje , diz-se "eu te amo" como se costuma dizer uma grosseria. O sentido se perdeu, se corrompeu, tornou-se ciência social...



La javanaise

J'avoue j'en ai bavé pas vous

Mon amour

Avant d'avoir eu vent de vous

Mon amour

Ne vous déplaise

En dansant la Javanaise

Nous nous aimions

Le temps d'une chanson

A votre avis qu'avons nous vu

De l'amour

De vous a moi vous m'avez eu

Mon amour

Ne vous déplaise

En dansant la Javanaise

Nous nous aimions

Le temps d'une chanson

Hélas avril en vain me voue

A l'amour

J'avais envie de voir en vous

Cet amour

Ne vous déplaise

En dansant la Javanaise

Nous nous aimions

Le temps d'une chanson

La vie ne vaut d'être vécue

Sans amour

Mais c'est vous qu il'avez voulu

Mon amour

Ne vous déplaise

En dansant la Javanaise

Nous nous aimions

Le temps d'une chanson.

* A tradução está aqui



Um abraço carinhoso a todos

Maysa

sábado, 19 de fevereiro de 2011

MELODY GARDOT -WORRISOME HEART





Música de novo aqui!!!


Quebro um jejum de meses sem placa de som, esquecida (!) na hora de reinstalar o computador! Inquietante não poder ouvir, logo eu que adoro música!
Comemoro com essa mulher que sabe cantar todas as notas de um coração ansioso! Inquieto como bate o meu, por vezes!
Acompanhem a letra de Worrisome Heart, aqui.
Gosto de ouvi-la ! Também valorizar sua coragem e vitória sobre a dor. Voz melodiosa como seu nome. Tempo canoro! Inspiração é quase tudo nessa vida! Não acham?
Um abraço carinhoso
Maysa

PS: Aos que me seguem, deixo mais uma pista da Melody , postada em 2009.


E, agora, admirem a de hoje: Coração Ansioso, inquieto.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

VOCÊ, TU...NEM SEI...

foto maysa by cel/abril 2010




Você, Tu... Nem sei...

Maysa Machado


Tua palavra impregnada

Em perfume almiscarado

Seduz-me os sentidos.

Mistério ronda o perto

De mim.

És máscara ancestral

E não te permites mostrar a face.

Espelho sem aço

Espectro quebrado

Sem reflexo.

Teu gemido

Sincero e partido

Ronda minha solidão.

Sei de tua ferida...

Quer nexo.

É dor que não passa

Quer sexo.

Nada tens...

Esquecido estás de ti!

Rondas teu mistério

Exalas todo perfume. Amor há!

O sopro,o pulsar de vida.

Aceitas imitação.

Constróis lacunas

Simples em teu despudor

Qualquer beijo

Sem afeto

Te basta.

Teu mar de ansiedade quer beber oceanos

Você, Tu... Nem sei... De mim

Nós emaranhados.


Santa Teresa, 18 de fevereiro de 2011

Aos que passam pelo Ninho e suas tempestades...Com abraço e afeto.

Maysa