quinta-feira, 2 de julho de 2009

Com Licença Poética - Adélia Prado




Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.



Adélia Prado é um sopro bom de vida. Tê-la ao alcance das mãos, um conforto prá viver melhor. Leiam-na. É sabor e amor. Com licença, com exagero, com tempero.
Mais Adélia, no site abaixo:

http://www.releituras.com/aprado_bio.asp

Bjs
Maysa

Um comentário:

Ana P. disse...

Minha amiga, acho que eu sou uma das poucas pessoas que acompanham o quão desdobrável você é! Passei para deixar um beijo. Conheço muito pouco de Adélia Prado, mas o pouco que conheço, gosto.