segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

MARIO QUINTANA - CADERNO H




Releio Mario Quintana. Sua obra a todos invade de forma irremediável, sorte de quem o lê.
É como receber um sopro bom de vida.
Depois, estamos preparados para tropeçar nela, em suas pedras, seus fundos buracos e, sobretudo, voar, flanar, passarinhar em nossos céus azulados.
Mario, ao nos fazer refletir, dá-nos a chance de encontrarmos outra dimensão para o sofrer/viver, nos re-ensina até a sorrir.

Quem vai nos dizer que " A poesia, como todo verdadeiro jogo, é uma luta da astúcia contra o acaso"?

"Do Bem e do Mal"
No fundo, não há bons nem maus. Há apenas os que sentem prazer em fazer o bem e os que sentem prazer em fazer o mal. Tudo é volúpia... (pag.159)

"Claro Enigma"
Os poetas são os únicos que não podem falar contra os absurdos da religião. Mesmo aqueles que se julgam materialistas devem estar ingenuamente iludidos: a poesia é um sintoma do sobrenatural. (pag. 158)

Da Simplicidade
O verdadeiro epicurista embriaga-se com um copo d'água. O verdadeiro poeta faz poesia com as coisas mais simples e corriqueiras deste e dos outros mundos. (pag.150)

Exame de Inconsciência
Há noites em que não posso dormir de remorsos por tudo o que deixei de cometer...( pag.151)

Do Sonho
Sonhar é acordar-se para dentro.(pag.141)

Ela
Mas que haverá com a Lua, que, sempre que a gente a olha, é com um novo espanto?(pag.14)

Imaginação...
A imaginação é a memória que enlouqueceu. (pag.58)

In Caderno H- 5ª edição revista- Editora Globo

E aí gostaram? Começamos o Ano de 2011 com leveza, fina ironia, ingenuidade, poder encantador de síntese, sabedoria, poesia, poesia.
Tudo encontrado e recolhido em páginas escritas por Mario Quintana. Os textos para o Caderno H, foram escritos em jornais - a partir de 1943- , depois na página literária do jornal O CORREIO DO POVO, a partir de 1953. A publicação em livro, 1ª edição 1973.

Abraços carinhosos
Maysa

2 comentários:

Cristina Welle disse...

Homenagem feita por Manuel Bandeira ao poeta Mário Quintana

Quintanares
Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares…
Insólitos, singulares…
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares.
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.
São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas luares.

São para dizer em bares
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares.
Quer no horror dos lupanares.
Cheiram sempre os teus cantares
Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.

Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares…
Perdão! digo quintanares.

Que eu vou passando e passando,
Como em busca de outros ares…
Sempre de barco passando,
Cantando meus quintanares…

Maysa disse...

Ô Cristina,

grata muitíssimo grata pelo poema de Bandeira, outro ícone de nossa poesia.
Que tenhas um 2011 cheio de poesia, amor, alegria e nas horas difíceis... mais poesia para libertar!
Grata pelo comentário que ativa nosso pulsar de vida.
Beijo
Maysa