HARMONIA, COMUNHÃO E SILÊNCIO
Preparo o ANO NOVO dentro de mim! 2011 não me conta, absolutamente, nada do que nos trará!
Não sussurra, nem vocifera. Está se aprontando, tal qual uma folha em branco, à espera!
Nós agiremos, em conjunto. Ativos, dispostos ou paralisados pelo medo, cansaço. Com descrença não mexeremos palha alguma... É melhor ter perseverança.
Procuro as lembranças, momentos alegres vividos e agradecidos. Deixo prá trás o que não carece ser bagagem.
As dores e decepções humanas são como tudo, passageiras. É só entoar um mantra e louvar a paciência, dizem.
- Invente o seu! Escolha-o.
Ensinou-me uma sábia amiga, dia desses em que meu coração, sensível, amargava a dor infindável de amor.
2010 vai. Saudemos 2011. Há esperanças, muitas. Renovadas! De lá prá cá modifiquei tanta coisa em mim!
Descobrir sozinha não descobri... Contei com ajudas preciosas, pedi licença, fui à luta.
A poesia é minha madrinha. É um jeito de brincar com a dor.
Foi com Carlos, Cecília, Manoel, Mário, Gilka, Ana Cristina, Bárbara, Flor Bela.
A música “meu bálsamo benigno” com Vinícius, Tom, Villa, Dorival, Bidu.
Foi com Nise, Cândido, Graciliano, Rosa.
É com Beatriz, Alaíde, Oscar, Chico, Paulinho, Mautner.
Assim em Janeiro:A poesia de Paulo Leminski, a intensa Futuros Amantes de Chico, Narciso Yepes interpretando Villa-Lobos. Crônicas, poemas, alguns de minha autoria, foram chegando.
Fevereiro:Rendi homenagem à carioquice de Valter Alfaiate que nos deixava, lembrei do aniversário de César Faria, do seu violão tão preciso quanto suave. Deslumbrei com a foto de Custódio Coimbra, aquela do raio rabiscando o céu bem acima do Redentor! Seus trabalhos foram brindados com um livro e uma exposição nesse mês. Iluminei o Ninho com a voz de Elizeth cantando manhã de Carnaval, de Luiz Bonfá.
Março:Miou-Miou, uma gatinha linda, foi embora no final do verão, prometi nunca mais sofrer com animais de estimação. Lembrei muito de Dra Nise, e postei o título A Emoção de Lidar, para traduzir aquela dor. Tenho, ainda, comigo a xará da Doutora, rajada, pelo curto.
Pela Páscoa um poema - A enseada e o Rio- expressou a ressurreição sentida.
Trouxe para o Ninho a poesia de Lêdo Ivo, alagoano como meu pai e tantos que por aqui destaco.
Como adoro música fiquei na boa companhia de Georges Brassens, do Fado da Sugestão, de Coimbra, aprendido desde minha época jovem, na universidade. Chamei Cartola, Nelson Cavaquinho. Celebramos os 445 anos da Cidade Maravilhosa.
Abril:A voz de Bidu Sayão ajudou-me a saudar a vida na Semana Santa, Paixão e Páscoa. Fui à feira de domingo na Glória, com amigos queridos. Revivi o cinema de Eric Rohmer. Aqui, já perceberam, brindo sempre ao amor, em todas as suas expressões.
Creio mesmo que viemos ao mundo para celebrar a vida e o amor! O resto é conseqüência.
A poeta Adélia Prado sublinha:
Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo. Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento...
Maio: Foi um mês plural: alegrias, tristezas, surpresas. Gente nova cantando bonito com a cantante Núria Pucci, a poesia de Ana Cristina César que partiu há tanto tempo e tão cedo... As lembranças saudosas da mãe, as alegrias com os netos.
Junho: Embalei-me na paz simbolizada em uma pomba branca que fotografei ao sol do meio dia, na pista de correr da Lagoa (Rodrigo de Freitas).
Julho: Recordei com Alcione Araujo que Urgente é a Vida, escrevi Lições da Noite, em Galos. Um galo canta/Quatro e vinte da madrugada/ Não durmo não canto /Esquecimento abandono/Mais nada. Mais nada.
Postei com alegria o Poema da Gatinha -primeiro poema da Mabi, minha neta de oito anos.
Compartilhei as belas fotos de Tina Modotti, fotógrafa e ativista política.
Agosto: Graciliano nos relembra que “... Isso é uma arenga besta!” (pag.54), no dizer de Caralâmpia, a menina princesa de Tatipirun. Homenagem de Graça feita à amiga e conterrânea Nise da Silveira, que tinha esse apelido na infância.
Transformo em crônica um fato inusitado, entre a vizinhança e orquídeas.
Setembro: Dores no estômago quase provocam um estrago, não fosse a chegada da primavera e a descoberta bucólica que faço!Rsrs.
Mãos gulosas, sensações passageiras...
Outubro: Trago novos temas em poemas - Sem Memória, Instantes.
Novembro: A Canção do Amor Fugaz é selecionada num concurso de poesias... Fico feliz. Escrevo Ipê Amarelo, a partir de uma foto dourada, esplendorosa, com sombras especiais.
Dezembro: Está em seu último dia.
Amanhã 2011 chega! Querem refletir sobre o amanhã?
Ante ontem, colocando meu neto para dormir, e ao concluir- com ele- as narrativas do dia, senti uma intensa sensação, uma forma diferente de paz.
Inundou-me a plenitude do instante, a harmonia, a comunhão, e o silêncio combinado com o amado pequeno.
Para os que estiverem em minha cidade sugiro: procurem o Teatro Municipal e, após verem os painéis GUERRA E PAZ de PORTINARI, desejem ardentemente que a PAZ nos guarde a todos!
Para os amigos distantes insisto: abracem os próximos, amem, desejem essa paz entre todos nós, forte e necessária.
Um FELIZ NOVO ANO!
A todos meu carinhoso abraço.
Maysa