domingo, 17 de maio de 2009

FESTA LITERÁRIA DE SANTA TERESA - MAIO 2009








LYGIA BOJUNGA, a autora homenageada.
Na programação do evento um café da manhã em sua companhia. Ótima idéia, mas o encontro, logo a seguir, com seus leitores foi inesquecível. Amorosa, vibrante, conversadeira, uma criatividade desconcertante, generosa, educadora na ativa. Notável presença de mulher, também moradora do bairro. Passei todo o tempo, ouvindo-a comovida. Um luxo existencial.
A equipe de professores do CEAT-Centro Educacional Anísio Teixeira - os criadores; seus alunos, os intérpretes.



FERREIRA GULLAR, o autor sempre festejado. Suas histórias irônicas, tempos passados revisitados com sabedoria, simplicidade e bom humor. O público, apaixonado.
ONDJAKI, a " fala " sensível e madura de um autor jovem.
A 1a Festa Literária de Santa Teresa, foi um sucesso.Estive lá.

Encontros prazerosos entre autores e leitores, público atento, alegre. Gerações de mestres e alunos, pais e filhos, moradores e visitantes.Uns, atraídos pela primeira vez buscando, no prazer de ler e ouvir histórias, o fio longo das diversas linguagens literárias. Outros, flanando pelo bairro de Santa Teresa, amado e descoberto de várias maneiras.
A única livraria,Largo das Letras, ponto de referência de alguns lançamentos, oficinas de ilustração e contação de histórias, troca de livros.
Os doces portugueses de Alda Maria , no platô da livraria. A própria doceira servindo suas delícias na barraquinha.
Ateliês abertos,restaurantes superlotados, exibindo filas civilizadas. Música,poesia, grupos jovens, estrangeiros curiosos , brasileiros de tantos lugares e sotaques.
De tudo um pouco acontecia.
Alí, no Largo dos Guimarães, ainda pela manhã, presenciei cena de disputa explícita, por um ponto de mendicância, entre uma mulher decidida e um homem acuado. Ela, vociferava sobre a ocupação do lugar e ele, contrapunha envergonhado, a garra e o espaço já perdidos.
Apresentações, parcialmente, interrrompidas por insólitos ruídos cotidianos do bairro.
A adaptação do livro "A Bolsa Amarela" , de L. Bojunga, com os alunos do CEAT, recebeu primorosa ajuda de sonoplastia, contundente e regular, na decolagem dos aviões do Aeroporto Santos Dumont . As repetidas manobras dos motorneiros dos bondes, no Museu do Bonde , local da encenação, contribuiu do mesmo modo, para testar a atenção e a capacidade auditiva da platéia .
No Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, a voz intimista de Ferreira Gullar, por algumas vezes foi abafada pelo pregão da paçoca num megafone possante e, por latidos fortes de um cachorro incomodado com os passantes. Enquanto isso, o poeta discorria sobre a poesia neo-concreta, o exílio, as arbitrariedades das ditaduras, a urgência em fazer o Poema Sujo - "que já nasceu com nome". Santa é assim...
O público só ficava inquieto quando não conseguia entrar nas salas lotadas dos encontros.

Neste ponto,cabe sugestão à coordenação do evento. No próximo, não se furtem, ao colocar na recepção, pessoas da equipe que encaminhem e possam orientar na organização das filas de entrada, de autógrafos. Protagonizei um tombo prosaico, e bastante dolorido, para conseguir um ambicionado autógrafo. Nem o autor nem a leitora precisavam do constrangimento causado pelo fato inesperado(!).
Pensando no conforto do público leitor e do autor, a acomodação de ambos, nos espaços escolhidos tanto quanto a organização das filas é " organização de cidadania".
Este ano, adultos, com alguma frequencia, não deram aos jovens o melhor exemplo.
Vi muita coisa que ainda estou digerindo, deliciosamente, como os "bem-casados "de Alda Maria.
Os musicos de partido alto,Tantinho da Mangueira e Marquinho China , dando um show de malícia e "repente" nos versos improvisados do desafio musical, no lançamento do livro " Na ponta do verso: Poesia e improviso no Brasil", de Alexandre Pimentel e Joana Correa.
À noite, também no Jasmin Manga, o grupo Balaio Carioca, encantava e empolgava a plateia, com alegria , ritmo, afinação e a bela interpretação de Agenor, do pandeiro, alí, cantando um samba de raiz, e depois Vika Barcellos, soltando a voz e a beleza , num repertório brasileiro de primeira. Estavam todos no paraíso!


A 1a Festa Literária de Santa Teresa valeu. Parabéns. Os que lá estiveram vão querer voltar no próximo evento. Daqui há dois anos? Isso não foi revelado.
Bjs
Maysa



Um último presente inspirado na FLIST, um poema de ONDJAKI.

“intimidar o poema a ser raiz”


era um poema lateral aos sentidos.
ganhava formato ébrio
ao nem ser escrito.
longe dos pensamentos
imitava uma pedra
[aí as palavras drummondeavam].
longe das lógicas
– com tendência vagabunda –
o poema driblava lados avessos
de noites
e animais
[aqui as sílabas manoelizam, barrentas].
mas uma estrela nunca brilha
tão solitária;
encarece-se também de luuandinar,
miar à couto,
esvair-se para guimarães...
era um poema carente de afectar-se
a ramos gracilianos.
assim alcançava
o estatuto
de raiz.
cheirado, emitia brilhos tímidos
– fosse um pirilampo.

2 comentários:

Ana P. disse...

Ysa, Ysa ...
Senti muita pena de não ter comparecido. Mas foi por um bom motivo, sabes bem ... De qualquer forma, seu talento de cientista social me fez acompanhá-la nas ladeiras do querido bairro. Tombo prosaico! Só você para transformar em poesia algo tão doloroso. Bom dia!

Maysa disse...

Ana, amiga que me conhece e bem me trata.
O tombo pelo menos foi dolorido e prosaico! já a cena explícita , pela manhã, do ponto para mendicância entre o casal foi como dor de dente quando chega, a gente pensa até em arrancar.O que senti foi parecido.Só dor!

Abcs
Maysa